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Gallagher Havock

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Sério mas nem tanto, criativo, camarada, professor de História, músico nas horas vagas, compositor e poeta nas madrugadas, comediante da família e um pouco preguiçoso... enfim humano, demasiado humano.

" Todos escrevem poesia na mocidade, depois os verdadeiros poetas tratam de destruí-las e os maus poetas tratam de publicá-las."
(Umberto Eco, O Pêndulo de Foucault)

Sir_Gallagher

Trovas Urbanas e Cantos Metropolitanos.
9 décembre

Esconde - esconde

 
   Lições do bem viver (II): Esconde - esconde
 
   Se ela calasse, eu saberia ?
   Se ela soubesse, o que eu diria ?
   Se ela dissesse, o que eu faria ?
   Se ela fizesse, eu aceitaria ?
   Se ela aceitasse, eu concordaria ?
   Se ela concordasse, eu fugiria ?
   Se ela fugisse, eu a procuraria ?
   Se ela procurasse, eu me esconderia ?
   Se ela se escondesse, tudo viraria
   Um esconde - esconde, não mais poesia. 
 
 
                - Sir_Gallagher
    
19 novembre

Noite Novembrina

    Bom, hora de retomar meus poéticos fracassos...
    O nada é especial ou nada é especial ??? Boa pergunta.
 
   Lições do Bem Viver ( I ): Noite Novembrina
 
   Numa primaveril noite invernal
   Cruzo as ruas, cidadão normal;
   Sublimando cada instinto animal
   Mero humano, mero mortal;
   Não há nada, nada é especial
   Chego ao fim, desfecho banal.
 
 
    - Sir_Gallagher
23 juin

Quadrinha...

Só para não deixar este espaço totalmente abandonado...
 
   Telefonema
 
 
   Dona Clara me ligou;
   Falei: "Não estou !"
   Ela não acreditou,
   E o telefone desligou.
 
 
   -Sir_Gallagher.
4 août

Mundo Afora

   Posso estar enganado, mas esse é o poema mais fotográfico que já escrevi. Irei me reservar a apenas esses comentário.
 
   Mundo Afora
 
  "Eu sou a rebeldia indignada;
   Pichada na parede da escada.
   Sou a sulfite toda amassada;
   Pela moderna impressora rejeitada.
   Sou a velha muleta da aleijada,
   E as linhas de suas mãos calejadas.
   Sou o rachado parapeito da sacada.
   A observar a mesma avenida nublada.  
   Sou a promoção do hipermercado;
   Vestes, eletrônicos e enlatados.
   Sou a carroça d'um paraibano;
   Conduzida como um carro do ano.
   
   Sou tudo aquilo que ignora,
   Sou a singeleza que aflora.
   ... mundo afora."
 
    -Sir_Gallagher
26 juillet

Numa trincheira em Verdun

 
   Numa trincheira em Verdun
 
   "Te vi caminhando, além da fronteira.
   Passeava, sorria, cantava.
   Eu , de minha suja trincheira,
   Distantemente a admirava.
  
   Teu campestre vestido amarelo;
   O laço azul em teu cabelo;
   Pobre de mim, só desmazelo;
   Minha suja farda, meu flagelo.
   
   No teu vistoso cesto, margaridas;
   No meu velho fuzil só as dores;
   Das amadas sem seus amores.
   A cada disparo cessam mil vidas.
  
   Tua doce e serena rotina;
   A minha... fria e assassina.
   
    ...
    
    Hoje me vejo assustado
   Meu perdido olhar avermelhado
   Não há nada ao meu lado
   Nem som, nem nada.Há algo errado.
  
   Mas então te vejo caminhando,
   Pra bem perto de mim;
   De branco, cheirando a jasmim;
   Sinto então que é o fim,
   Não há trincheira... estou libertado."
  
 
   - Sir_Gallagher.
   
16 juin

Além da Janela

     Eis o verdadeiro SEGREDO, e não estou cobrando nada pra revela-lo a vocês, caros leitores. Esconda-se
dentro de teu mundo perfeito, e esqueça o mundo infernal que existe além das janelas.
 
 
           Além da Janela
 
   - Não olhes pela janela, não, querido !!!
   Nada existe além das cortinas,
   Só o medo, a dor, destruição, carnificinas,
   Chacinas, fumaça, gritos e algum gemido.
   Miseráveis, doenças, dúvidas, dilemas,
   Dívidas, drogas, dólares, problemas.
  
   Senta-te sereno, aqui nesta cadeira.
   Tome um pouco do quente esquecimento
   Aqueça-te no sossego da lareira,
   E ignore o que chamam de sofrimento.
  
   - Não olhes pela janela, nunca, querido !!!
   Pois escondido aqui estarás protegido.
 
 
    - Sir_Gallagher.
24 avril

Do Cinza as Cinzas

    É outono, porém está quente. Os dias nublados, cinzentos, frios costumavam me inspirar bastante. Mas hoje está quente,
abafado. Logo não existirá mais inverno, muito menos outono. Tenho dó dos filhos que não terei (ou que não pretendo ter),
que não poderão apreciar Bandeira, vendo as folhas caindo das árvores... num cinzento dia frio.
 
   Do Cinza as Cinzas. 
  
  "O vento tristemente soa;
   E calado ali estou.
   Não sou uma pessoa;
   Sou o que restou,
   Carregado pelas brisas,
   De uma noite passada,
   Uma história inacabada...
   ... apenas minhas cinzas,
  
   Não sou mais eu,
   Apenas sou o que se perdeu."
 
   - Sir_Gallagher.
 
    P.S: Dedicado a alunos de uma sétima série, que aplaudiram a leitura de um poema de Bandeira realizada por
este que vos fala... mérito do poeta.  Que possam viver por muitos e muitos outonos.
  
 
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